Estamos chegando a mais um 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres. É bem provável que muitas empresas façam milionárias campanhas com frases de efeito ou distribuição de rosas às suas trabalhadoras e clientes. Mas este dia não é apenas de homenagens e iniciativas demagógicas. É um dia de luta.
Em 2010, completam-se 100 anos da Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada na Dinamarca, quando foi decidido que o 8 de março seria um dia mundial de homenagem às mulheres trabalhadoras. A data foi criada para lembrar as 129 operárias que morreram carbonizadas após uma greve, em Nova York, em 1857, e sua luta por melhores condições de vida.
Desde então, o 8 de março tornou-se um dia para denunciar a opressão e a exploração capitalista, e reivindicar os direitos das mulheres. Não se pode negar que houve alguns avanços no século 20, mas também é impossível negar que o preconceito, o machismo ainda estão vivos e têm de ser combatidos dia-a-dia.
Afinal, somos nós mulheres que ainda recebemos menos que os homens, que estamos nos serviços mais precarizados, somos alvos dos assédios moral e sexual no local de trabalho, sofremos com a violência doméstica e enfrentamos a tripla jornada.
As mulheres trabalhadoras não precisam somente de rosas. Precisam de creches para seus filhos, do direito a seis meses de licença-maternidade, de respeito no local de trabalho, de alário igual para trabalho igual, do fim do machismo e da violência.
O dia 8 de março nos lembra também que esse combate só pode ser feito a partir da rganização das trabalhadoras. Juntas, temos o poder de enfrentar todo tipo de opressão e xigir que patrões e o poder público atendam nossas reivindicações.
Este mês, o Movimento Mulheres em Luta da Conlutas inicia um cadastramento junto às rabalhadoras da região sul de São José dos Campos para identificar quantas mulheres recisam de creches para seus filhos. Esse estudo vai ser usado para exigir da prefeitura e os empresários a abertura de vagas para essas crianças. De acordo com dados do IBGE, m 2008, havia um déficit de 34 mil vagas em creches e em pré-escolas na cidade.
As mesmas trabalhadoras que geram lucros para as empresas são as mães que não têm om quem deixar seus filhos.
Infelizmente, a falta de creches não é o único problema enfrentado por mulheres rabalhadoras. Na verdade, são inúmeros, mas chamo a atenção para um em especial: o real ireito à maternidade. Para que este direito possa ser exercido, o poder público tem de garantir o mínimo necessário às mulheres trabalhadoras, como emprego, salários iguais para trabalhos iguais, assistência médica de qualidade e licença-maternidade de seis meses obrigatória.
Em 2008, o governo Lula sancionou a extensão da licença-maternidade de quatro para seis meses. Mas deixou a cargo dos empresários o poder de decidir se este período seria aplicado ou não. E mais: aquelas empresas que aderirem, têm direito a isenção fiscal. Isto representará cerca de R$ 800 milhões por ano a menos nos cofres públicos. Por isso, neste 8 de março, uma de nossas bandeiras é licença-maternidade de 6 meses para todas as mulheres, sem benefício fiscal para os patrões.
É hora de fazer do 8 de março uma data de luta, de denúncia e de exigir a ampliação de nossos direitos.
Rosângela Calzavara é diretora do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e membro do Movimento Mulheres em Luta da Conlutas Vale do Paraíba

